O dia 27/07/2017 foi o nosso grande dia! Estávamos finalmente casados! Mas este post não é para contar detalhes do casamento (esse será outro post!), mas sim para falar acerca da dificuldade que passamos para casar por ele ser brasileiro e estar em situação irregular no pais.
Tentamos dar entrada ao processo de casamento no inicio de Março de 2017, na conservatória de Sintra, e foi-nos negado. O motivo: cidadãos estrangeiros sem residência não têm direito a casar.
Ficamos muito tristes e desiludidos e saímos de lá sem questionar praticamente nada. Depois do choque passar lá começámos a exercitar o raciocínio e ver que aquilo não fazia sentido. Fomos à procura de testemunhos, de leis, de tudo o que nos pudesse ajudar.
Após muito ler na internet, decidi tentar uma conservatória diferente, pois neste tipo de casos parece que não existe uma lei, mas sim boa e má vontade. Dirigi-me à conservatória do Marquês de Pombal, em Lisboa (que deve ser a central, penso eu) e conseguimos pôr o processo em andamento. A diferença neste tipo de situações é que o processo fica inicialmente suspenso até se realizar uma entrevista com o SEF (serviço de estrangeiros e fronteiras) e ser feito o despiste de casamento por conveniência. É um processo complicado, em que a resposta não é rápida e nem chega até nós se ficarmos simplesmente à espera dela. Durante cerca de 3 meses fui pessoalmente à conservatória tentar saber em que estado se encontrava o mesmo e a resposta era sempre a mesma: "O SEF ainda não respondeu". Decidi enviar e-mails para todos os contactos do SEF que encontrei e perguntei qual era a previsão de resposta. Tive a sorte de obter uma resposta muito positiva: afinal o SEF já tinha dado seguimento ao processo, a conservadora é que ainda não tinha actualizado a informação.
Lá fui novamente à conservatória, mas desta vez com uma arma valiosa nas minhas mãos e pronta para lhes dizer "Mentira, eu perguntei ao SEF e eles já deram resposta!". No entanto, parece que o vento andava a soprar para os meus lados e conheci a responsável pelo meu processo. Desta vez, eu e o meu marido tínhamos ido juntos à conservatória e no mesmo dia a Sra fez-nos a tal entrevista de despiste do casamento por conveniência. Questionamos se poderíamos escolher uma data para casar, visto que já estávamos em 24 de Julho (e o processo já andava em águas de bacalhau desde Março ).Foi-nos proposto o dia 27 de julho, ou seja, com 3 dias de antecedência. Convidamos as pessoas que pretendíamos que fossem connosco ao casamento civil, e muitos ficaram chateados, não entenderam o motivo de estarem a ser convidados para algo tão importante apenas com três dias de antecedência, mas assim foi. Realmente é quase inacreditável mas isto acontece de verdade! Casar é um direito, e está no Código dos Direitos das famílias, no entanto, a falta de preparação das pessoas responsáveis ou a falta de vontade de pegar num processo mais complicado dá origem a estas confusões.
Olhando para toda esta situação agora só consigo sentir alegria ao ver que quase um ano se passou!

Acredito que não tenha sido nada fácil, mas ainda bem que tudo se resolveu pelo melhor :)
ResponderEliminarBem, passaram por uma novela e tanto, mas o que conta é terem conseguido se casar. O meu namorado também é brasileiro e, mesmo estando cá desde criança, foi difícil o SEF dar-lhe o visto de residência. Também queremos casar futuramente e espero que ninguém invente de colocar obstáculos.
ResponderEliminarr: Muito, muito obrigada *-*
ResponderEliminarNem sempre é fácil mantermos uma interação regular, porque temos que nos dedicar a outras questões, mas acho que esse cuidado genuíno, quando temos oportunidade de interagir, é fundamental.
Percebo-te perfeitamente! Afinal, se nem se deram ao trabalho de ler, porquê aprová-los? Acho que fazes bem.
Perceber que as pessoas vêm ao nosso blogue porque realmente gostam não tem preço :)